| Datum | 18.10.2026 |
| Subjekt | ERNST & YOUNG, S.A. |
| Autor | EY Portugal |
| Region | Portugalsko |
| Kategorie | Ekonomika |
Portugalsko se snaží obstát v evropském prostředí poznamenaném větší selektivitou investic, geopolitickým napětím, obchodní nejistotou a slabým hospodářským růstem. V roce 2025 země přilákala 186 projektů přímých zahraničních investic (PZI), což představuje meziroční pokles o 5 %, tedy méně než sedmiprocentní pokles zaznamenaný v Evropě. Portugalsko si tak podle počtu projektů PZI udrželo deváté místo v Evropě.
EY Attractiveness Survey Portugal 2026 revela que o número de projetos de investimento direto estrangeiro caiu 5%, abaixo da média europeia (-7%), evidenciando uma certa resiliência da economia portuguesa Apesar da retração no IDE face ao ano passado, o peso dos projetos de expansão em Portugal passou de 26% para 37% do total, revelando confiança de quem já está cá instalado Inteligência Artificial, cloud e centros de dados surgem como principal oportunidade para a próxima vaga de investimento Investidores defendem maior rapidez no licenciamento, mais talento especializado e melhor acesso a capital para reforçar a competitividade Energia renovável reforça-se como fator diferenciador, mas o custo energético continua a ser apontado como desafio
Portugal tenta resistir num contexto europeu marcado por maior seletividade de investimento, tensões geopolíticas, incerteza comercial e crescimento económico anémico. Em 2025, o país captou 186 projetos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE), menos 5% face ao ano anterior, uma redução inferior à queda de 7% registada na Europa. Portugal manteve, assim, a 9.ª posição europeia por número de projetos de IDE. Esta é uma das principais conclusões do EY Attractiveness Survey Portugal 2026, estudo que combina a análise dos projetos de investimento anunciados em 2025 com a perceção de 200 decisores internacionais sobre a atratividade do país.
O aumento do peso dos projetos de expansão, que passaram de 26% para 37% do total, evidencia a confiança das empresas já instaladas em Portugal e a sua disponibilidade para reforçar operações no país. Apesar deste sinal de estabilidade, o estudo da EY conclui que Portugal ainda não conseguiu converter esta capacidade de resistência em ganhos significativos de competitividade face aos mercados europeus que mais têm crescido na atração de investimento.
Portugal voltou a demonstrar capacidade para resistir num contexto internacional particularmente desafiante. O facto de termos registado uma contração inferior à média europeia e assistido ao crescimento dos projetos de expansão mostra que os investidores continuam a reconhecer valor no país. O próximo passo passa por criar as condições para transformar esta resiliência em competitividade de longo prazo, acelerando a capacidade de financiar, executar e escalar investimentos
Miguel Farinha
Country Managing Partner da EY Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
Por sua vez, Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal Leader, destaca:
A próxima vaga de investimento será determinada por fatores como Inteligência Artificial, infraestruturas digitais, energia e reindustrialização avançada. Portugal reúne vantagens relevantes nestas áreas, combinando talento, estabilidade, capacidade de atrair profissionais internacionais e uma crescente disponibilidade de energia renovável. O desafio está agora em transformar estes ativos em projetos concretos e de maior valor acrescentado
Miguel Cardoso Pinto
EY-Parthenon Portugal Leader
Tecnologia continua a liderar o investimento
À semelhança dos anos anteriores, as atividades intensivas em conhecimento continuam a ser a principal base do IDE em Portugal. Em 2025, os setores de Software e Serviços de IT e de Serviços às Empresas e Serviços Profissionais representaram, em conjunto, 44% dos projetos de investimento estrangeiro captados pelo país.
Ainda que os projetos de software tenham registado uma ligeira redução, os serviços empresariais reforçaram a sua presença, confirmando a importância crescente das atividades de elevado valor acrescentado para a economia portuguesa.
A tendência é reforçada pela intenção futura dos investidores. Entre as empresas do setor tecnológico, 66% afirmam ter planos para estabelecer ou expandir operações em Portugal durante o próximo ano, um aumento de 11 pontos percentuais face à edição anterior do estudo da EY.
Inteligência Artificial e centros de dados lideram o futuro
Quando questionados sobre a plataforma estratégica que Portugal deverá priorizar para maximizar o IDE nos próximos cinco anos, 20% dos investidores apontam o “ecossistema de Inteligência Artificial, cloud e centros de dados”, mas também a “logística e cadeias de abastecimento” (16%) e a “reindustrialização sustentável e indústria avançada” (15%).
Para os inquiridos, os principais fatores que podem posicionar o país neste domínio incluem a capacidade de atrair talento internacional, a disponibilidade de energia renovável, a estabilidade política e um ambiente regulatório favorável.
Esta oportunidade surge num momento em que os projetos de investimento relacionados com Inteligência Artificial cresceram 96% na Europa, reforçando a relevância deste segmento para o futuro posicionamento económico do continente.
Energia renovável reforça diferenciação
A qualidade de vida continua a ser o atributo mais valorizado pelos investidores internacionais, mas é a disponibilidade de energia verde e de baixo carbono que regista um dos maiores crescimentos enquanto fator diferenciador.
Já 30% dos investidores identificam a energia renovável como uma das principais vantagens competitivas de Portugal, acima dos níveis registados no ano passado.
Apesar disso, o custo da energia mantém-se entre as principais preocupações dos investidores. 44% consideram que Portugal está ainda longe de encontrar o equilíbrio adequado em matéria de acessibilidade dos preços da energia.
Confiança mantém-se alinhada com a Europa
Num contexto internacional mais prudente, 57% dos investidores afirmam ter planos para investir ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses, um valor ligeiramente superior à média europeia (54%).
Ao mesmo tempo, apenas 22% dos inquiridos referem ter adiado, cancelado ou reduzido planos de investimento em Portugal durante o último ano, abaixo dos 34% observados na Europa, sugerindo uma maior resistência do país perante os choques recentes.
Já 56% acreditam que a atratividade de Portugal irá melhorar nos próximos três anos.
Acesso a capital lidera as prioridades
O acesso a capital surge como a principal prioridade identificada pelos investidores para reforçar a competitividade portuguesa.
Seguem-se o apoio às pequenas e médias empresas, o reforço da inovação digital e o apoio a setores estratégicos como inteligência artificial, energia limpa e defesa.
O estudo da EY conclui ainda que, para transformar a atual resiliência em crescimento sustentado, Portugal deverá concentrar esforços na melhoria das condições para financiar, executar e escalar investimentos, apostando simultaneamente em áreas de elevado potencial, como inteligência artificial, infraestruturas digitais, serviços de elevado valor acrescentado e reindustrialização avançada.
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